Hoje à noite mais cedo, milagrosamente, eu me encontrava sentado na varanda de minha casa. E estava observando o céu. Sempre gostei das estrelas, sempre gostei de suas disposições sobre a tenda escurecida e sempre achei interessante o brilho que delas saem (saem??). E sentei pensando e pensando eu fiquei. E esses momentos são tão bons em nossas vidas, quando nos retiramos do 'agora' e vamos para outra dimensão. Onde esquecemos de tudo e de todos: das vizinhas fofoqueiras, dos amigos mal-amados, do chefe carrancudo, da nota baixa na prova, dos livros que o irmão mais novo rasgou. Esquecemos, literalmente, de tudo o que nos rodeia. E eu fico muito feliz com isso.
Eu costumo pensar muito quando estou fazendo caminhada. Nossa. Penso muito. Mas quando estou pensando nesse sentindo, eu não me sinto frizado dos sentimentos alheios. Eu estou presente ainda, eu estou com os pés no chão. Mas quando estou sozinho meu pés saem do plano. Quando eu fecho os olhos (mentalmente) eu me vejo numa superficie que me faz querer ser muito mais além do que já sou. Êxtase.
Aí sabe que de repente apareceu uma amiga(não convém dizer quem né?). E a primeira coisa que ela fez - e eu estava torcendo para que ela não fizesse - foi pegar uma cadeira e sentar do meu lado. Droga! Aí eu me liguei. Me acordei. Pousei.
Ouvi o bodejado das vizinhas fofoqueiras, ouvi as risadas das meninas que estão na fase da puberdade, ouvi o ronco das "mobiletes" dos carinhas que passam se enxerindo paras as meninas citadas, ouvi minha mãe brigando com meu irmão, mandando-o sair do meu quarto, ouvi meu celular tocar. E eu queria deixar isso de lado. Passo a semana toda numa correria tão grande. Trabalho, casa, aula,casa, trabalho, casa,aula,trabalho, aula,casa..... e o
descanço fica pequenissimo no fim do dia. E as vezes ainda me coloco em frente ao computador. Porque aqui também me sinto mais distante deles. Me tranco, sou algo virtual, e que simplesmente pode escrever o que vier na telha.
Daí, que essa minha amiga começou a conversar comigo: - Ai hoje no trabalho foi tão cansativo. Teve a festa da fulana de tal, mas a sicrana disse que não ia porque terminou com o namorado, blá blá blá Whykas sachê... Eram palavras totalmente mal colocadas e que pra mim no momento não faziam o minimo sentido. Mas ela é esperta e ela viu que estava falando demais, e com retorno muito pequeno (balançando de cabeça positivamente):
- Tudo bem? Tá melhor da gripe?
- Ahãm, apenas uma congestão, mas tô bem.
- Tava pensando em quê?
- No céu. Na disposição deles.
- A lua tá linda né?
(eu não tinha notado a lua. Eu me prendi no brilho menor, nem tive tempo de contemplar a luz mais brilhante)
Aí olha o que pensei: As vezes, EU - Robério Marques -, penso tanto no sol, na sua forma, na sua disposição, na sua declinação, so seu intenso brilho, na sua extrema força, e a sua autissima temperatura também. Fiz um blog entitulado Palavras do Sol, tudo porque eu gosto dele. Mas hoje eu pensei na lua. Olha só: Brilhante, bonita, apaziguante, apaixonada, enamorada, controlada. A lua é totalmente o oposto do sol. À ela, eu posso comtemplar, posso ver sua posição, posso ver suas formas, posso sentir o seu calor mesmo não sentindo queimar a pele. então eu fiquei me perguntando ( e deixando a minha amiga de lado novamente) o porquê de ter escolhido o sol para ser o meu ator-coadjovante. E pensam que eu achei a resposta? Eu nem me esforcei!
Eu gosto dele, gosto da cor dele: Laranja intenso (no meu pensar). Aí eu lembrei uma vez lendo num blog de uma conhecida que nós, pessoas dos meios, escolhemos aquilo que parece ser de mais dificil acesso para comtemplar, para nos fazer feliz, para nos realizar. E é verdade, não acham?...
Aí meus pés planaram novamente e eu comecei a conversar com ela: como um rapaz normal! Combinamos diversas coisas, como a festa surpresa de um amigo no domingo (espero que ele não leia este post), como o que nós vamos preparar amanhã para o almoço (Feriado né? Eu, ela e minha mãe vamos fazer um "almoço especial" rsrs), e podemos conversar sobre as coisas que nos rodeam. Por um momento, um insignificante momento, me senti as vizinhas fofoqueiras falando da vida alheia. É interessante, mas não tão aguçador.
No fim de tudo, eu me levantei, tomei um remédio para gripe (acabou comigo essa semana) e vim pra cá. Desta vez, me exclui do mundo lá fora. Aqui é apenas eu e o quadrado com um Sistema Operacional na minha frente e por trás da porta, um mundo inteiro, uma vida toda, uma história totalmente incabada para eu decrifrar. Mas hoje não, agora eu quero ficar aqui, amanhã pensarei por onde irei começar

(A janelase encontra aberta, agora ponha-se nas pontas dos pés, dê um impulso de leve e comece a voar. Calma! Não faz isso em pé! Pode ser perigoso. Você pode fechar os olhos e imaginar, apenas imaginar)
,,amanhã, dia do trabalhador! Hahaha! Viva nós!'
inté mais...'